Use 'I went to Paris'. Em inglês, destino de deslocamento pede 'to', não 'in'. O 'in' aparece depois, quando você descreve o que fez lá: 'I went to Paris and spent three days in Montmartre.' A confusão acontece porque o português informal aceita 'fui em Paris' ao lado de 'fui a Paris' — e o cérebro traduz esse 'em' como 'in' direto.
De onde vem o erro — e por que ele persiste
No português escrito e formal, o correto é 'fui a Paris', com a preposição 'a'. Mas no português brasileiro falado, especialmente em regiões onde o 'a' átono some da fala, é comum ouvir 'fui em Paris' ou 'vou em São Paulo'. Essa forma existe e é amplamente usada, mas é estigmatizada na escrita. Quando o falante aprende inglês e quer traduzir essa ideia, tanto 'a' quanto 'em' viram candidatos — e 'em' vira 'in' por analogia direta. O resultado é 'went in', que não funciona para destino em inglês em nenhum contexto.
O que um nativo realmente entende
Um nativo nativo identifica 'I went in Paris' imediatamente como erro de preposição — não constrói uma leitura alternativa elaborada, simplesmente percebe que a frase está quebrada. Em conversas informais, o contexto salva a comunicação e o nativo entende o que você quis dizer, mas registra o deslize. Em contextos profissionais ou escritos, a frase chama atenção pela razão errada.
I went in Paris last summer.
I went to Paris last summer.
Destino de viagem pede 'to' em inglês; 'in' indica localização, não deslocamento.
Como 'to' e 'in' dividem o trabalho na mesma frase
A distinção mais útil não é uma regra solta — é ver os dois juntos na mesma frase. Quase toda narrativa de viagem usa 'to' para o deslocamento e 'in' para o que aconteceu depois. Repare nos exemplos abaixo: a virada de preposição marca exatamente o momento em que você parou de se mover e começou a estar em algum lugar.
We flew to Lisbon and stayed in a small hotel near the river.
Voamos para Lisboa e ficamos num hotel pequeno perto do rio.
She moved to Berlin in 2019 and still lives in the same apartment.
Ela se mudou para Berlim em 2019 e ainda mora no mesmo apartamento.
O erro aparece com outros verbos também — mas de forma diferente
O problema não é exclusivo do 'go'. Com 'travel', 'move' e 'drive', o erro com 'in' é raro porque o brasileiro raramente traduz 'viajei em Roma' ou 'dirigi em Paris'. O deslize mais frequente com outros verbos é diferente: usar 'in' depois de 'arrive'. Em português dizemos 'cheguei em Roma', e o cérebro traduz direto para 'arrived in Rome' — que, por acaso, está correto. Mas o mesmo raciocínio que acerta 'arrived in' erra 'went in', porque 'arrive' descreve o ponto de chegada (localização) enquanto 'go' descreve o deslocamento em si.
I arrived to Rome after a long flight.
I arrived in Rome after a long flight.
'Arrive' descreve o ponto final, então pede 'in' para cidades — exatamente o oposto de 'go', que descreve o movimento e pede 'to'.
They drove to Naples and arrived in the city late at night.
Eles foram de carro para Nápoles e chegaram na cidade tarde da noite.
A exceção real: 'home' não usa preposição como destino
Existe um grupo de palavras que dispensam preposição quando funcionam como destino: 'home', 'here', 'there' e 'abroad'. Essas palavras já carregam ideia de lugar embutida e, na função de destino, ficam diretamente depois do verbo. 'Go to home' é uma forma que nativos reconhecem como estrangeirismo — não é simplesmente redundante, soa claramente não nativo. O ponto relevante aqui é que a regra de usar 'to' para destinos tem esse conjunto de exceções léxicas fixas, e 'Paris', 'Japan' ou qualquer nome geográfico não está nesse grupo.
I'm going to home now.
I'm going home now.
'Home' como destino dispensa preposição — diferente de qualquer nome geográfico, que sempre leva 'to'.
After two weeks abroad, all I wanted was to go home and sleep.
Depois de duas semanas fora, tudo o que eu queria era ir para casa e dormir.
Como checar rápido antes de falar ou escrever
Faça uma pergunta mental antes de escolher a preposição: o verbo descreve o ato de ir até o lugar ou descreve estar no lugar? Se for o ato de ir — 'go', 'travel', 'move', 'fly', 'drive', 'walk', 'return', 'come' — a resposta é 'to' antes do nome geográfico. Se for estado ou permanência — 'be', 'stay', 'live', 'work', 'arrive' — a resposta é 'in' para cidades e países. Essa checagem resolve a maioria dos casos sem memorizar lista.
E 'I've been to Paris' — por que usa 'to' e não 'in' se não tem verbo de movimento?
'Been to' é uma construção fixa no present perfect que indica experiência de visita — o 'to' carrega o sentido de que você foi até lá e voltou. 'I've been in Paris' existe, mas significa que você passou um período específico na cidade, não que já a visitou. Então 'Have you ever been to Japan?' pergunta se a pessoa já visitou o Japão; 'I've been in Tokyo for three weeks' descreve uma estadia atual ou recente.
Posso dizer 'I went to the store' e 'I went in the store' — algum dos dois é errado?
'I went to the store' significa que você foi até a loja — destino, deslocamento. 'I went in' é uma construção diferente: 'in' aqui é partícula verbal, não preposição de destino, e significa que você entrou num lugar já mencionado antes ('The door was open, so I went in'). São estruturas distintas. Para dizer que foi à loja, use sempre 'I went to the store'. 'I went in the store' não é a forma natural para esse significado.
Em que casos 'in' aparece com nome de país ou cidade sem erro?
Sempre que você descreve localização, não deslocamento. 'I lived in Canada for five years', 'She was born in São Paulo', 'The conference is in Berlin' — todos corretos porque nenhum desses verbos indica movimento em direção ao lugar. O nome geográfico com 'in' é completamente natural; o problema aparece só quando o verbo descreve o ato de ir até lá.